terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pré-treino


Paulo Gentil
01/12/201

É comum que praticantes de atividade física se deparem com dias ou até mesmo longas fases em que a disposição para treinar é reduzida. Estas variações são até certo ponto comuns e mesmo os atletas de alto nível passam por elas. Para se romper tais barreiras, muitas pessoas têm utilizado suplementos que prometem melhorar a disposição e o rendimento, os famosos "pré-treino".
Tais suplementos são vendidos com as mais diversas justificativas, como aumentar a produção de força, retardar a fadiga, promover inchaço na musculatura, etc. É uma proposta extremamente atrativa, pois diminui a responsabilidade das pessoas e transfere para um pote!! Com isso, o treinador não precisaria mais planejar e o atleta não precisaria vencer suas próprias limitações!! Bastaria tomar comprimidos e pronto!

As composições dos pré-treino variam muito entre produtos e fabricantes, no entanto, alguns componentes comumente encontrados são a creatina, cafeína, arginina e beta-alanina. Com relação à arginina e seus derivados, a proposta é atuar no ciclo do óxido nítrico, uma proposta infundada e comprovadamente ineficiente, inclusive isso já foi tratado em um texto anterior (Oxido nitrico) e está confirmado em uma revisão de literatura recente (Bescos, 2012). Outro suplemento que já foi abordado em um texto antigo, mas que continua com opiniões atuais, é a creatina (Creatina). Apesar de a creatina ser um bom suplemento, os pré-treino normalmente também levam cafeína em sua fórmula, e a ingestão concomitante dessas substâncias compromete os efeitos benéficos da creatina, podendo eliminar completamente o seu efeito ergogênico (Vandenberghe et al., 1996; Hespel et al., 2002).

Resta então analisar a cafeína e a beta-alanina.

Cafeína

A cafeína é um alcalóide da xantina que atua como estimulante do sistema nervoso central e tem sido acrescentado nos suplementos com o intuito de deixar o praticante mais disposto para o treino. No entanto, os resultados de estudos envolvendo a utilização da cafeína para melhora da performance são controversos. Nas revisões sobre o tema, é possível encontrar estudos em que houve melhora e estudos em que houve piora de performance (Burke, 2008; Astorino & Roberson, 2010; Davis & Green, 2009) , tornando difícil estabelecer uma posição clara. O que se sabe é que há uma grande variedade nas respostas individuais à ingestão de cafeína e alguns fatores que parecem influenciar sua eficiência são: 1) duração da atividade (benefícios em atividades superiores a 60 segundos); 2) ingestão habitual (melhores resultados em pessoas que não ingerem cafeína habitualmente); 3) nível de treinamento (melhor em pessoas treinadas) e 4) dosagem (efeitos a partir de 3mg/kg).

Sobre esses pontos deve-se esclarecer que: 1) a duração da atividade não é a comumente encontrada na musculação, pois cada série normalmente dura menos de um minuto. 2) A população brasileira em geral ingere bebidas com cafeína, como o café, refrigerantes, bebidas energéticas, etc. 3) A maior parte das pessoas que tomam esses suplementos não estão no nível de treinamento dos participantes dos estudos. 4) A dosagem de cafeína encontrada nos suplementos normalmente varia entre 35 a 140mg, o que não seria suficiente para trazer os efeitos procurados. Somando tudo isso, vemos que dificilmente os suplementos trariam os efeitos esperados para os praticantes de musculação.

Algo muito subestimado com relação à cafeína são os efeitos colaterais. Se ela exercer o efeito estimulante, haverá consequentemente maior sobrecarga cardiovascular (Riksen et al., 2011; Butt et al., 2011; Mesas et al., 2011), aumentando os riscos à saúde. Além disso, como acontece com todo estimulante, a ingestão de cafeína tem o efeito potencial de gerar acomodação. Desse modo, a ingestão habitual dos suplementos levaria o organismo a se acostumar, gerando a necessidade de doses cada vez maiores e a dependência. Essa dependência vem associada a diversos problemas cientificamente comprovados como problemas do sono, depressão, alterações no humor, etc (Bergin et al., 2012; Reissig et al., 2009; Roehrs & Roth, 2008; Ogawa & Ueki, 2007).

Beta-alanina

Durante a atividade física intensa de duração prolongada, é necessário recorrer à glicólise anaeróbia, o que resulta na formação de uma grande quantidade de íons H+, isto, segundo alguns autores, pode estar associado à fadiga. Apesar de ser controverso se a acidose é associada à fadiga em eventos de curta duração (ver o texto Lactato, acidose e fadiga), pode ser que haja interferência nas atividades mais longas. Para contrabalancear a acidose, nosso corpo dispõem de sistemas de tamponamento, dentre os quais se encontra a carnosina (Hobson et al., 2012).

A beta-alanina é um precursor da carnosina, um dipeptideo formado pela ligação da beta-alanina com a histidina. Como a beta-alanina é o principal limitante da disponibilidade de carnosina, sua suplementação tem sido usada com a finalidade de aumentar a quantidade desta e, consequentemente, retardar a fadiga e diminuir a concentração de metabólitos em resposta ao exercício.

De fato, há estudos com atividades contínuas (Ghiasvand et al., 2012; Sale et al., 2012) e intervaladas (Saunders et al., 2012) que verificaram aumento do tempo até a exaustão e redução na concentração de lactato com a suplementação de beta-alanina. No entanto, tais resultados são contrapostos por estudos que não encontraram efeitos benéficos, especialmente quando a amostra foi composta por pessoas treinadas (Smith-Ryan et al., 2012; Jagim et al., 2012; Saunders et al., 2012).

Em uma meta-análise sobre o tema, Hobson et al. (2012) concluem que a suplementação de beta-alanina pode auxiliar em exercícios com duração maior que 60 segundos, mas não em exercícios com duração inferior a essa. A melhora seria de 2,85% na performance com uma suplementação de 5,12g diárias de beta-arginina... um custo-benefício pouco atraente (por curiosidade eu não consegui ver a concentração de beta-alanina nos suplementos que olhei). Desse modo, seria possível inferir que a suplementação ajudaria pouco o praticante de musculação, pois são raros os treinos em que o esforço dure mais do que 60 segundos, como falado anteriormente. A exceção seriam alguns tipos de treinos metabólicos, no entanto, a relevância disso ainda seria discutível. Se pensarmos em alguém que realiza 15 repetições de um determinado exercício, tal benefício não chegaria nem a ser uma repetição a mais. Ou, ainda, se pensarmos em alguém que utiliza 100kg para determinado exercício, as melhoras não chegariam a 3kg!

Mais discutível ainda seriam os benefícios da diminuição no estresse metabólico em longo prazo, pois já existem diversos estudos que associam o acúmulo de metabólitos aos ganhos de força e massa muscular (Schott et al., 1995; Takada et al., 2012). Dessa forma, deve-se questionar até que ponto tal redução seria desejável, pois poderia interferir negativamente nas adaptações ao treino.

O que se tem sobre musculação é um estudo britânico no qual se suplementou 6,4 gramas diárias de beta-alanina em estudantes de Educação Física que praticaram musculação por 10 semanas. Apesar da suplementação aumentar a quantidade de carnosina no músculo, não houve efeitos positivos nos ganhos de força e nas alterações na composição corporal (Kendrick et al., 2008). Não há ainda muitos estudos sobre a suplementação de beta-alanina em praticantes de musculação, no entanto, a partir das evidências teóricas deve-se fazer os seguintes questionamentos: se ela aumentaria a performance; se o aumento de performance seria relevante; se as alterações seriam benéficas em longo prazo.

Considerações finais

Confrontando os treinos realizados nas academias com as evidências científicas disponíveis, é nítido que a maioria dos praticantes de musculação realiza um volume excessivo de treino. Portanto, a falta de energia e motivação reportada por muitos, provavelmente é consequência do overtraining. Para se romper tais barreiras, seria necessário fazer modificações no planejamento e contar com a determinação e esforço individual. Mas, por falta de uma, de outra ou das duas, têm se buscado soluções mágicas, o que levou ao aumento da utilização dos "pré-treino".

Como sempre, quando lidamos com interesses financeiros, deve-se ter cuidado com os propagandas, mesmo que elas citem estudos, normalmente são estudos manipulados e cujos resultados divergem largamente das evidências científicas disponíveis. Com esses suplementos, por exemplo, existem alguns estudos financiados que apontam estranhos efeitos positivos. Mas o que se pode concluir com base na literatura e nas bases teóricas disponíveis é que tais suplementos dificilmente trariam os resultados prometidos para praticantes de musculação, além de terem potenciais efeitos negativos na saúde do usuário.

Referências bibliográficas
Astorino TA, Roberson DW. Efficacy of acute caffeine ingestion for short-term high-intensity exercise performance: a systematic review. J Strength Cond Res. 2010 Jan;24(1):257-65.
Bergin JE, Kendler KS. Common psychiatric disorders and caffeine use, tolerance, and withdrawal: an examination of shared genetic and environmental effects. Twin Res Hum Genet. 2012 Aug;15(4):473-82.
Bescós R, Sureda A, Tur JA, Pons A. The effect of nitric-oxide-related supplements on human performance. Sports Med. 2012 Feb 1;42(2):99-117.
Burke LM. Caffeine and sports performance. Appl Physiol Nutr Metab. 2008 Dec;33(6):1319-34.
Butt MS, Sultan MT. Coffee and its consumption: benefits and risks. Crit Rev Food Sci Nutr. 2011 Apr;51(4):363-73.
Davis JK, Green JM. Caffeine and anaerobic performance: ergogenic value and mechanisms of action. Sports Med. 2009;39(10):813-32.
Ghiasvand R, Askari G, Malekzadeh J, Hajishafiee M, Daneshvar P, Akbari F, Bahreynian M. Effects of Six Weeks of β-alanine Administration on VO(2) max, Time to Exhaustion and Lactate Concentrations in Physical Education Students. Int J Prev Med. 2012 Aug;3(8):559-63.
Hespel P, Op't Eijnde B, Van Leemputte M. Opposite actions of caffeine and creatine on muscle relaxation time in humans. J Appl Physiol. 2002 Feb;92(2):513-8.
Hobson RM, Saunders B, Ball G, Harris RC, Sale C. Effects of β-alanine supplementation on exercise performance: a meta-analysis. Amino Acids. 2012 Jul;43(1):25-37.
Jagim AR, Wright GA, Brice AG, Doberstein ST. Effects of beta-alanine supplementation on sprint endurance. J Strength Cond Res. 2012 Apr 3. [Epub ahead of print]
Kendrick IP, Harris RC, Kim HJ, Kim CK, Dang VH, Lam TQ, Bui TT, Smith M, Wise JA. The effects of 10 weeks of resistance training combined with beta-alanine supplementation on whole body strength, force production, muscular endurance and body composition. Amino Acids. 2008 May;34(4):547-54.
Mesas AE, Leon-Muñoz LM, Rodriguez-Artalejo F, Lopez-Garcia E. The effect of coffee on blood pressure and cardiovascular disease in hypertensive individuals: a systematic review and meta-analysis. Am J Clin Nutr. 2011 Oct;94(4):1113-26.
Ogawa N, Ueki H. Clinical importance of caffeine dependence and abuse. Psychiatry Clin Neurosci. 2007 Jun;61(3):263-8.
Reissig CJ, Strain EC, Griffiths RR. Caffeinated energy drinks--a growing problem. Drug Alcohol Depend. 2009 Jan 1;99(1-3):1-10.
Riksen NP, Smits P, Rongen GA. The cardiovascular effects of methylxanthines. Handb Exp Pharmacol. 2011;(200):413-37.
Roehrs T, Roth T. Caffeine: sleep and daytime sleepiness. Sleep Med Rev. 2008 Apr;12(2):153-62.
Sale C, Hill CA, Ponte J, Harris RC. β-alanine supplementation improves isometric endurance of the knee extensor muscles. J Int Soc Sports Nutr. 2012 Jun 14;9(1):26. doi: 10.1186/1550-2783-9-26.
Saunders B, Sale C, Harris RC, Sunderland C. Effect of beta-alanine supplementation on repeated sprint performance during the Loughborough Intermittent Shuttle Test. Amino Acids. 2012 Jul;43(1):39-47.
Saunders B, Sunderland C, Harris RC, Sale C. β-alanine supplementation improves YoYo intermittent recovery test performance. J Int Soc Sports Nutr. 2012 Aug 28;9(1):39.
Schott J, McCully K, Rutherford OM. The role of metabolites in strength training. II. Short versus long isometric contractions. Eur J Appl Physiol Occup Physiol. 1995;71(4):337-41.
Smith-Ryan AE, Fukuda DH, Stout JR, Kendall KL. High-velocity intermittent running: effects of beta-alanine supplementation. J Strength Cond Res. 2012 Oct;26(10):2798-805.
Takada S, Okita K, Suga T, Omokawa M, Kadoguchi T, Sato T, Takahashi M, Yokota T, Hirabayashi K, Morita N, Horiuchi M, Kinugawa S, Tsutsui H. Low-intensity exercise can increase muscle mass and strength proportionally to enhanced metabolic stress under ischemic conditions. J Appl Physiol. 2012 Jul;113(2):199-205.
Vandenberghe K, Gillis N, Van Leemputte M, Van Hecke P, Vanstapel F, Hespel P. Caffeine counteracts the ergogenic action of muscle creatine loading. J Appl Physiol. 1996 Feb;80(2):452-7

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

TREINAMENTO FUNCIONAL NO FUTEBOL


Por Sandro Sargentim
Com o passar dos anos a ciência aliada ao treinamento desportivo vem buscando aperfeiçoar mecanismos de aplicação de treinamentos que busquem a excelência em rendimento através de métodos específicos de cada modalidade. Os esportes individuais no decorrer dos anos alcançaram resultados mais diretos na busca pela especificidade da manipulação das cargas de treinamento comparado aos esportes coletivos.
O futebol, dos esportes coletivos, sempre foi a modalidade que mais impõe barreiras para a implantação de técnicas novas de treinamento que visam não somente alto rendimento individual e coletivo, mas geram uma adaptação ao organismo do atleta, proporcionando uma maior equilíbrio muscular e com isso um menor risco de lesões muscular e articular.
O treinamento funcional tem como foco dentro do futebol dois objetivos claros e interdependentes:
1- Melhora do movimento específico do futebolista durante as fases mais intensas e decisivas do jogo;
2- Um maior equilíbrio das cadeias musculares, minimizando com isso as chances de dores e lesões inerentes ao futebolista.
As vertentes que compõe o treinamento funcional dentro do futebol são:
Treinamento de Força, core e Propriocepção.
A força é aplicada com o principal objetivo de melhora da resposta muscular aos movimentos mais intensos e específicos do jogo. O treinamento de força tem como função primária melhorar a ação motora do futebolista dentro dos treinamentos e jogos.
O futebol é um esporte misto e intermitente, onde o atleta realiza diversas ações musculares intensas e curtas com longas pausas para as novas ações. As ações motoras na fase ativa da partida, na maior parte das vezes, são realizadas através de movimentos rápidos e intensos com ação específica dos grandes grupos musculares.
A manipulação dos exercícios de força pretende dentro do futebol, criar uma adaptação ao atleta, para poder realizar os movimentos com mais intensidade e segurança, prorrogando ou diminuindo a chance de fadiga muscular. As manifestações de força do futebolista são força máxima, força explosiva e resistência de força explosiva. Para o futebolista poder desempenhar o seu melhor desempenho através do treinamento de força, o fortalecimento das suas articulações e bem como seu centro de equilíbrio e controle deve ser treinado e aprimorado através do treinamento do core e da propriocepção.
A região do core pode ser entendida com a conexão entre os membros superiores e inferiores, se tornado a base do movimento de cada indivíduo, pode ser entendido como o produto de um controle motor e da capacidade muscular do complexo quadril-lombar-pelve. Os movimentos realizados pelos membros são iniciados e posteriormente equilibrados pela região do core. Com o core bem equilibrado e fortalecido, o futebolista conseguirá realizar as ações musculares com maior segurança, gerando mais força com menos gasto de energia e conseqüentemente uma menor possibilidade de fadiga.
Contudo por mais força que o atleta conseguir realizar pelos membros e por mais fortalecido e equilibrado estiver a região do core, de pouco adianta se as articulações específicas não forem treinadas e fortalecidas da forma pontual e correta. A propriocepção tem como principal característica o fortalecimento das articulações correspondentes ao futebolista (tornozelo, quadril e joelho).
A propriocepção não age isoladamente na articulação, ela fortalece também a musculatura que compõe cada articulação. O fortalecimento articular através da propriocepção acontece através da estimulação dos receptores (especialmente os mecanorreceptores), da estimulação ao fuso muscular e ao órgão tendinoso de Golgi.
O treinamento funcional dentro do futebol é realizado dentro dessas três vertentes (força, core e propriocepção). A principal diretriz para a aplicação treinamento funcional dentro do futebol é conseguir aplicar cada uma das vertentes de forma específica, simulando os exercícios com gestos iguais ou parecidos com os realizados pelos futebolistas dentro dos treinos e jogos.
Os exercícios para serem específicos devem ser realizados pelos grupamentos musculares específicos dos futebolistas, com a alta intensidade, com a velocidade de movimento parecida com a de jogo, e com a freqüência de movimentos próxima a da realidade encontrada em uma partida de futebol. É possível o treinamento de forma integrada, com as três vertentes do treinamento funcional estimuladas ao mesmo tempo, ou isolando cada uma das vertentes em cada sessão de treino, essa divisão é pedagógica e pode evoluir de acordo com aceitação e evolução dos atletas.
O treinamento funcional dentro do futebol não prioriza a prevenção de lesões em detrimento ao alto rendimento, ele contribui para os dois objetivos agirem em conjunto proporcionando ao futebolista moderno um maior fortalecimento e equilíbrio muscular, potencializando o rendimento de forma complexa e específica.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Preparador Físico Futebol Profissional - RODRIGO POLETTO: O que você precisa saber sobre treino regenerativo...

Preparador Físico Futebol Profissional - RODRIGO POLETTO: O que você precisa saber sobre treino regenerativo...:   POR LUIZ CARLOS DE MORAES É muito comum o corredor fazer um trote leve no dia seguinte a uma competição ou de um treino forte, ...

O que você precisa saber sobre treino regenerativo


 POR LUIZ CARLOS DE MORAES

É muito comum o corredor fazer um trote leve no dia seguinte a uma competição ou de um treino forte, pensando tratar-se de uma atividade regenerativa de sua musculatura. Mas esta não é a melhor opção.
Entre tantas discussões na área de treinamento físico, uma também longe do fim é a questão do que fazer no dia seguinte a um treinamento forte e/ou competição. No futebol, por exemplo, mal ou bem todos nós estamos acostumados a ver nos noticiários que os técnicos adotam condutas diferentes no dia seguinte. Uns dão folga completa, outros mandam seus jogadores para a piscina, outros para a sala de musculação e ainda tem os que adotam um treino leve e descontraído com bola, chamando isso de treino regenerativo. Ou seja, vários procedimentos para a mesma situação.
O fato também acontece com os corredores. Embora realmente não haja consenso nessa questão, não é possível chamar de treino regenerativo o ato de voltar a treinar exatamente a mesma atividade, mesmo em ritmo fraco, no dia seguinte. A gente sabe que qualquer exercício físico, seja ele qual for, provoca microlesões nas fibras musculares e o próprio organismo recompõe os tecidos danificados, tornando-os mais fortes e/ou resistentes, mas precisa de um tempo para que isso aconteça. 

TRÊS MOMENTOS DA MUSCULATURA. É nisso que se baseia o "princípio da adaptação", que acontece em três fases bem distintas e que duram entre 24 e 48 horas: 

FASE DE DESTRUIÇÃO. É quando acontece a ruptura das fibras musculares, formando o hematoma entre elas e a reação anti-inflamatória, como resultado do exercício que ultrapasse a capacidade do músculo. Quando vem na intensidade certa do exercício, vem também acompanhada de dor chamada tardia, que até certo ponto tem que existir mesmo. Mas não pode ser aguda, que indicaria uma lesão.
FASE DE REPARO. Neste momento ocorre a absorção das partículas necrosadas na fase anterior e a reconstrução das fibras musculares. Ou seja, uma faxina geral nas fibras que foram danificadas. Nessa fase a dor tardia ainda está presente, mas começando a diminuir. Reside aí a velha frase que "sem dor não há ganho (de performance)". De fato não há ganho, desde que essa dor não seja aguda.
FASE DE REMODELAÇÃO OU SUPER-COMPENSAÇÃO. Aqui ocorre o amadurecimento das fibras, tornando-as aptas e mais fortes novamente para a atividade física. A dor já não existe mais e o corpo parece nos dar a boa sensação de estar pedindo mais exercício. 

VARIAR PARA POUPAR. Partindo do princípio que o exercício específico é que provocou todo esse processo, não faz sentido o indivíduo voltar a fazer exatamente o mesmo movimento, sem antes as fibras musculares estarem totalmente regeneradas. Ou seja, no caso do corredor voltar a correr, mesmo devagar, depois de um treino forte sob justificativa de estar fazendo um regenerativo, na verdade está é degenerando as fibras musculares porque volta a correr ainda na segunda fase, a de reparo. As fibras musculares ainda não estão curadas e prontas para uma nova tensão. Pior ainda é quando o corredor resolve fazer outro treino forte.
Talvez resida aí a explicação da ocorrência de algumas lesões, especialmente aquelas que se manifestam não imediatamente, mas alguns dias depois. O indivíduo volta a correr ainda com dor, dias depois faz isso de novo, até virar uma lesão. Por conta disso acredito que qualquer outro procedimento tais como exercícios leves, que não sejam a corrida, possam fazer sentido porque não se estará sacrificando as mesmas fibras musculares do mesmo modo. 

A AJUDA DO SANGUE. Sabe-se também que todo o processo depende da quantidade de sangue passando na região afetada, tanto na reconstrução dos tecidos como na remoção dos resíduos, justificando mais uma vez a execução de outros exercícios que de alguma forma irão manter o aporte sanguíneo. Não custa lembrar que a corrida gera um impacto de três vezes o peso corporal e as pernas são as mais prejudicadas, mesmo nos exercícios leves. A intensidade é apenas um detalhe para aumentar o desgaste nas fibras musculares. Isto é, com intensidade maior as fibras recebem duas ações de desgaste: o impacto e a velocidade aumentada. Na corrida leve só diminui a questão da velocidade, mas o impacto permanece.
A musculatura humana tem uma enorme capacidade de adaptação a todo tipo de estresse, tanto nas doenças como nos exercícios. Se compararmos um sedentário com um ultra-maratonista aí vai uma longa distância de adaptação. São muitos os mecanismos de controle que o próprio corpo dispõe para se proteger, mas com limites que não devem ser ultrapassados.
Reside aí o segredo da aplicação do estresse na medida certa ao músculo humano, com objetivo de respostas de desempenho esportivo, que sempre foi e sempre será o controle adequado da intensidade, frequência e duração do exercício, na medida certa para cada pessoa. É certo que depois de um treinamento forte ou competição, o músculo precisa de repouso que pode ou não ser ativo. Tudo depende do "tamanho do estrago", por assim dizer, que o treinamento provocou nas fibras musculares. Voltar logo a correr, mesmo devagar, pode não ser uma boa idéia. 

BOAS OPÇÕES REGENERATIVAS
Hidroginástica. Sabidamente é uma atividade relaxante por causa das propriedades físicas da água. Como geralmente as piscinas destinadas a essa atividade são rasas, o corredor que detesta ficar sem correr pode correr dentro da água, que nesse caso estará fazendo realmente um treino regenerativo, sem impacto.
Pedalar, na bicicleta comum, na ergométrica ou spinning. O ato de pedalar envolve um sincronismo de praticamente todos os grupos musculares das pernas durante os 360 graus do giro, recrutando alguns músculos não tão usados durante a corrida e com a vantagem da diminuição do impacto.
Caminhada. É a atividade mais natural do ser humano, mas apesar de aparentemente simples, por incrível que possa parecer tem corredor que sabe correr, até porque se preocupa com o gesto esportivo, e não sabe caminhar ereto com o tronco, braços e a cabeça em perfeito equilíbrio sobre as pernas em movimento constante e balanço correto dos braços. Isso acontece exatamente porque cada um desde a infância já adquiriu um padrão motor que é o seu possível natural.
Portanto, caminhar desde que seja numa velocidade confortável, constante e com o corpo em equilíbrio também é uma atividade regenerativa porque além do impacto ser infinitamente menor, o padrão motor é diferente da corrida. O único problema é ficar tentado a terminar correndo, principalmente depois de bem aquecido. Alguns poderão achar que caminhar não ajuda em nada, mas o objetivo é exatamente esse: sentir-se bem ao final do treino regenerativo.
Musculação. Também é uma boa opção porque além de estar fazendo um treino regenerativo, se estará fortalecendo outros grupos musculares importantes no equilíbrio do gesto esportivo, enquanto o corpo recupera os músculos da corrida.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Preparador Físico Futebol Profissional - RODRIGO POLETTO: Bahia é o único clube da Série A sem jogadores no ...

Preparador Físico Futebol Profissional - RODRIGO POLETTO: Bahia é o único clube da Série A sem jogadores no ...: por Redação Galáticos Online em 16 de Outubro de 2013 13:19 com 6 Comentários em ...

Bahia é o único clube da Série A sem jogadores no DM

O técnico do Bahia, Cristóvão Borges, tem enfrentado poucos problemas com jogadores lesionados no elenco tricolor. Dentre os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, o Esquadrão é o único time que não tem atletas no departamento médico do clube neste momento da competição.

Apenas Ávine, que não atuou em 2013, segue em tratamento em São Paulo em recuperação de uma cirurgia no joelho. Um trabalho em conjunto desenvolvido pela comissão técnica, departamento médico, fisioterapia, fisiologia e nutrição, além do comprometimento dos atletas com os treinos e atividades, têm ajudado o Bahia a não ter desfalques constantes por conta de lesões neste ano.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Beneficios da Hidromassagem


 
 
1. Hidromassagem - O que é?
Hidromassagem é uma forma terapêutica de utilização da água, que baseia os seus benefícios na acção dinâmica e térmica que a água, sob pressão ou em movimento, exerce sobre a pele e os tecidos.
2. Efeitos Directos da Hidromassagem
Durante uma sessão de hidromassagem, a temperatura e a pressão da água incidem de forma variável sobre o corpo.
Ambas, temperatura e energia dinâmica da água, produzem efeitos determinados sobre a pele, tecidos e articulações que se podem resumir basicamente a um aumento da circulação sanguínea superficial, com maior oxigenação da pele, relaxamento muscular e diminuição do tecido adiposo subcutâneo.
Estas circunstâncias, associadas à diminuição da força da gravidade sobre os músculos, facto que facilita os movimentos e contracções de forma homogénea, vem incentivando a fisioterapia a utilizar a água como meio terapêutico de êxito para o tratamento e reabilitação de lesões musculares e articulares.
A isto acrescenta-se o importante relaxamento físico e psíquico que proporciona uma sessão de hidromassagem, devido à grande sensação de bem-estar posterior que produz.
Muitas autoridades médicas apontam o uso da hidromassagem como uma forma de medicina preventiva. Uma maneira de evitar uma série de males, aumentando sensivelmente a circulação sanguínea e activando veias e artérias
As hidromassagens oferecem um tratamento livre de drogas para a redução do stress. Trata-se notoriamente de um relaxante muscular, encorajador da socialização e ajuda no tratamento da ansiedade. Hidromassagens são ideias para exercitar técnicas de relaxamento e meditação. Restabelecem músculos cansados após fortes exigências como jogging ou ténis.
Medições de temperatura na superfície da pele humana ajudaram a ilustrar as qualidades da água quente como relaxante. A pele na temperatura de 30 graus centígrados até 31 indica stress, de 34 a 35 graus indica relaxamento profundo.
Uma imersão quente reduz a tensão, que é um factor contribuinte para a alta pressão sanguínea, doenças do coração, úlceras e outras doenças relacionadas com o stress.
Hidromassagens são benéficas para algumas pessoas que sofrem de artrite, bursite e outros problemas ósseos e musculares.
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3. Porquê Possuir uma Hidromassagem?
A água possui características exclusivas e terapêuticas. O meio aquático, para além de privilegiado para a prática de exercício, possui também uma vertente terapêutica importantíssima muito divulgada pelos antigos romanos, que espalharam pelas regiões onde se instalaram o hábito de frequentar as termas e os balneários. A hidromassagem é a forma mais simples e prática de receber os benefícios da água e, tal como o nome indica, consiste numa massagem, que este caso é efectuado por meio de jactos de água. Para conseguir identificar melhor qual é a sensação que a hidromassagem proporciona, imagine-se a ser percorrida(o) por dezenas de suaves fluxos de água que massajam cada zona do seu corpo, proporcionando uma enorme sensação de leveza e bem-estar. Uma piscina ou tanque de hidroterapia deve incluir vários tipos de jactos, que localizam a sua acção nas zonas do corpo mais sujeitas a tensões ou dores musculares. Certamente, que já utilizou o chuveiro do duche para obter um efeito sedativo ou estimulante sobre determinada zona do corpo. Por exemplo, quando está cansada(o) e a água bem quente do duche incide na zona dos ombros ou pescoço elimina a tensão aí centrada, proporcionando uma sensação confortável de relaxamento. Agora, imagine este benefício em grande escala, com jactos direccionados e a temperatura correcta. Então, se a água tiver propriedades adicionais como é o caso da de umas termas ou da do mar (talassoterapia), os benefícios da hidromassagem são multiplicados. Uma banheira especial para hidromassagem possui um número variável de jactos, cuja intensidade também pode ser regulada. Por exemplo, para um tratamento completo que incida sobre todo o corpo a banheira pode ter até 180 jactos, com maior ou menor intensidade. O resultado é um banho de imersão que estimula a circulação, tonifica os tecidos e alivia as tensões e o cansaço. Com prescrição médica e seguimento técnico, uma sessão de hidromassagem pode aliviar dores reumáticas, fazendo incidir os jactos de água em zonas específicas do corpo.
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4. Algas: Complementos Enriquecedores
As algas constituem um complemento fundamental e muito enriquecedor da hidromassagem. São verdadeiras fábricas químicas que concentram em si todo o poder do ambiente marinho, com oligoelementos fundamentais para o bom funcionamento do corpo. Possuem poderes adelgaçantes e anticelulíticos, remineralizantes, relaxantes e analgésicos, para além de permitirem ao corpo eliminar as toxinas acumuladas. Através das algas, o organismo, no seu conjunto, sofre um processo de purificação, para além da acção localizada pode incidir em zonas com excesso de gordura ou celulite. Uma sessão de hidromassagem com algas tem, assim, benefícios redobrados, que aliam o poder da massagem ao dos efeitos químicos naturais destes elementos marinhos.
As propriedades da água do mar podem ser aproveitadas ao máximo para transformar a hidromassagem e o mais simples exercício aquático numa benção para o corpo. Para além do cloreto de sódio, a água do mar possui potássio, cálcio, magnésio, sulfatos e carbonatos, elementos fundamentais para regeneração celular e reparação óssea. Quanto às águas termais, as suas características variam de região para região. O nosso país é rico em termalismo e permite-nos escolher o tipo de água necessária para os fins terapêuticos que pretendemos.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Preparador físico destaca trabalho de prevenção de lesões no Bahia


Segundo Rodrigo Poletto, trabalho em conjunto com os setores do clube é o segredo para o elenco enfrentar a maratona de jogos

01.10.2013 | Atualizado em 01.10.2013 - 17:03
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Da Redação
Campeonato Brasileiro, Copa Sul-Americana, jogo quarta e domingo, treino diário. Assim tem sido a vida dos jogadores do Bahia, uma verdadeira maratona. Para evitar que os atletas sintam o desgaste e desfalquem a equipe por conta de lesões, o departamento médico e físico do Tricolor tem feito um trabalho árduo de prevenção. Segundo Rodrigo Poletto, preparador físico do Bahia, os trabalhos tem sido feito em conjunto por todos os setores do clube.


"A gente já sabia dessa maratona de jogos, já estávamos prevendo isso tudo. Claro que a gente entrou em outra competição, a Copa Sul-Americana, com viagens mais longas. Então, isso tudo a gente colocou dentro de um calendário específico e tem feito um trabalho forte de fisioterapia, fisiologia, nutrição. Esse trabalho em conjunto tem ajudado a sustentar os atletas nessa maratona toda e a gente tem tido um resultado muito positivo, até em função da prevenção de lesões. Tivemos pouquíssimas lesões, quase nenhuma. Então, com um desgaste tão grande, isso tudo é um mérito desse grupo  de trabalho, tanto dos profissionais, quando dos atletas, que estão entendendo a importância do trabalho. A gente tem mantido o nível da performance na competição, com poucas lesões e conquistando bons resultados dentro de tudo isso", explicou Poletto.
Atletas do Bahia estão divididos entre Sul-Americana e Campeonato Brasileiro Com pouco tempo para a preparação dos atletas, a equipe  tem realizados alguns treinos físicos e regenerativos logo após as partidas ou no próprio hotel em que a delegação está hospedada. Rodrigo lembra que a fórmula deu certo na passagem pelo Vasco. Na ocasião, a equipe carioca se manteve entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro.
"A gente sabe que o Campeonato Brasileiro é longo, então a gente procura fazer uns trabalhos onde a gente tenha uma forma regular o campeonato todo. Claro que isso muda no decorrer das partidas, de ganhar uma ou duas, influência no psicológico, mas no trabalho de campo, de manutenção, a gente tem feito um trabalho linear para que a gente consiga manter a equipe homogênea. Isso foi feito pela gente no vasco e quase não oscilamos na competição", afirmou o preparador físico.
Após encarar um longa viagem da Colômbia, os atletas tiveram apenas um dia para se preparar para encarar o Vasco e dois para encarar o Corinthians, em duelo que acontece nesta quarta-feira (02), em Mogi Mirim, São Paulo. Os jogadores já embarcaram para Campinas, de onde seguem de ônibus até o local da partida.

domingo, 16 de junho de 2013

Treinamentos E.C.Bahia


15 Jun FUT. PROFISSIONAL

Jogadores treinaram na academia e depois com bola no campo
Na manhã chuvosa deste sábado (15), o elenco do Bahia se reapresentou e treinou no Fazendão. Os jogadores deram prosseguimento aos treinos da intertemporada, que vai até dia 06 de julho. No dia 07, o Tricolor encara o Corinthians, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro.
 
Os atletas começaram as atividades com um trabalho físico na academia do clube, com os preparadores Rodrigo Poletto, Anderson Gomes e Vitor Gonçalves e com o fisiologista Maurício Maltez. Os jogadores se alternaram nos aparelhos, realizando um treino de força.
 
Em seguida, os atletas desceram para o campo e o treinador Cristóvão Borges e os auxiliares Sebastião Rocha e Cassiano de Jesús, comandaram um treino técnico de posse de bola.
 
O grupo foi dividido em dois times que se enfrentavam em campo reduzido. O objetivo era passar mais tempo tocando a bola, até fazer o gol.
 
Na academia, ficaram o meia Marquinhos e os zagueiros Rafael Donato e Demerson, que voltaram de contusão e estão aprimorando a forma física.
 
Neste domingo (16), o elenco volta a trabalhar às 09 horas, no Fazendão.

16 Jun FUT. PROFISSIONAL

O grupo participou de um trabalho físico técnico.
Na manhã deste domingo(16), o elenco do Bahia realizou o terceiro treinamento da intertemporada, trabalhando no campo principal do Fazendão.

Mesmo com muita chuva, a comissão técnica iniciou a atividade deste domingo com um trabalho físico técnico, utilizando cintas elásticas, para condicionar os atletas e aprimorar o passe curto.

Em seguida, o técnico Cristóvão Borges aplicou um trabalho de troca de passes curtos, médios e longos.

Finalizações, cruzamentos, cabeceios e defesas também foram trabalhados.

A última etapa do treino foi uma sessão de alongamentos e exercicios de CORE, para prevenir lesões.

O goleiro Marcelo Lomba, que não conseguiu se reapresentar na sexta-feira, em virtude do cancelamento do seu vôo, treinou ontem no turno da tarde e já participou normalmente da atividade de hoje.

O volante Hélder, que também tem problemas com o vôo para Salvador, fez tratamento médico no tornozelo esquerdo ontem e hoje. O atleta ainda sente dores no local que foi atingido na partida contra o Vasco.

O lateral esquerdo Jussandro sentiu um incômodo muscular na coxa direita logo no primeiro dia da intertemporada e desde sexta-feira, o ala faz tratamento e fará um exame de imagem no inicio desta semana.

Na academia, Marquinhos, Demerson e Rafael Donato fizeram um treino físico com o preparador Vitor Gonçalves.

O meia Freddy Adu encontra-se nos Estados Unidos e retornará para Salvador no inicio da semana.

O volante Fahel, que foi submetido a uma pequena cirurgia dentária, se reapresentará nesta segunda-feira.

Todo treinamento teve duração de duas horas e logo após da atividade, os jogadores foram liberados e retornarão aos treinos nesta segunda-feira, às 08h00, no Fazendão.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Conheça os cinco falsos amigos da dieta

Começar uma dieta implica em cortar o que engorda, adicionar o que faz bem e fazer trocas espertas. Os doces e o açúcar vão embora, assim como pães, refrigerantes e frituras. Mas será que os alimentos que passamos a consumir são realmente saudáveis? A nutricionista funcional Andréa Santa Rosa Garcia listou cinco alimentos que não ajudam a emagrecer e que podem colocar o seu regime e sua saúde em risco.



GelatinaÉ a queridinha da dieta por conter e baixa caloria, mas as gelatinas vendidas no mercado têm alta concentração de corantes artificiais, que inflamam as células e dificultam o emagrecimento. Uma dica é preparar gelatina incolor e adicionar suco de uva integral, que tem antioxidantes e ajuda a emagrecer, ou consumir cápsulas de colágeno, que podem ser encontradas em casas de suplemento e possuem a proteína na sua forma pura.
AdoçanteO produto pode ativar uma substância no sistema nervoso central e gerar um processo de compulsão alimentar.
Pão integralOs pães integrais vendidos em padarias e supermercados contêm, normalmente, 90% de farinha branca e 10% de farinha integral. A branca não possui nenhum valor nutricional, pois para produzi-la a casca do trigo, onde todos os nutrientes estão presentes, é retirada. O produto final é rico em amido e tem alta carga glicêmica. Para comprar um pão realmente integral, fique atenta ao rótulo e observe se nos ingredientes a farinha integral vem antes da branca.
ShoyuO molho shoyu é uma bomba de sódio, levando à retenção de líquido e problemas cardiovasculares. O produto também é rico em glutamato monossódico, uma substância que gera excitabilidade no sistema nervoso central, provocando ansiedade e falta de concentração. Prefira o shoyo macrobiótico (existem três marcas no mercado).
SojaA proteína da soja é mais difícil de ser digerida e pode fermentar no estômago, sobrecarregando a digestão e causando sensação de inchaço e desconforto.  Para que isso não aconteça, é mais indicado consumir a soja já fermentada, na forma de natto, ou precipitada, o tofu, como fazem os orientais.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Treinamento de força na Periodização Tática: um aliado mal compreendido

       
O método criado por Vítor Frade revolucionou a forma de se treinar futebol e deve ser sempre analisado e estudado, mas, na mesma proporção, deve sofrer ajustes
       
Sandro Sargentim

               
Com o passar dos anos, cada dia mais novos meios de treinamentos surgem nos desportos competitivos e na rotina de treinamento dos indivíduos não atletas.
Nas modalidades competitivas, meios de treinamento são testados, e os principais se fixam facilitando aos técnicos e preparadores físicos cada dia mais agregar conhecimentos atualizados em busca de um rendimento mais específico em prol do alto rendimento dos atletas e/ou das equipes relativas a cada modalidade.
No futebol, esse processo de atualização esta cada vez mais acelerado e novos meios de treinamento são apresentados aos profissionais, possibilitando um aporte de conhecimento para a evolução do esporte para a melhora do esporte mais popular do mundo.
Nessa linha de evolução dos métodos de treino a mais recente atualização é uma linha criada dentro da Universidade do Porto pelo professor Vítor Frade denominada Periodização Tática.
Dentro da enorme complexidade do excelente método, o professor Frade e seus "seguidores" defendem que todo processo de treinamento para o jogo de futebol deve ser desenvolvido dentro do "modelo de jogo" definido pela equipe técnica.
Não entra nessa metodologia nenhum exercício que não seria desenvolvido através da melhora da forma da equipe jogar. É uma concepção de treino que pretende, através do respeito por uma matriz conceitual e diferentes princípios metodológicos próprios, construindo um jogar específico.
Dentro das diretrizes básicas desenvolvidas dentro desse método o que rege a sequencia dos meios de treinamento é o plano tático, esse mesmo sendo o responsável hierarquicamente pelo desenvolvimento das demais características que compõe o futebolista.
Nessa linha de aplicação, o modelo de jogo, determinado pela dimensão tática sobrepõe as dimensões técnicas, físicas, psicológicas e as tomadas de decisões.
Muito bem, até então nada de novo, pois a maioria dos leitores desse site já conhecem muito bem as diretrizes desse método.
O tema que pretendo colocar nessa coluna segue de agora em diante. Segundo as leis que regem a Periodização Tática, tudo o que foge o modelo de jogo, a especificidade, não deve ser treinado.
Possivelmente esse detalhe seja um dos mais polêmicos do método. Segundo Frade e os profissionais que disseminam e aplicam o método, o treino de força deve ser abolido das sessões de treino de uma equipe de futebol.
Dentro da Periodização Tática, o ganho de força seria feito com os exercícios específicos do jogo de futebol, com as inúmeras mudanças de direções e suas respectivas frenagens, desaceleração, arranques e gestos específicos do jogo (chute, saltos, giros, etc.). Frade acredita que se ganha à força naturalmente com os gestos específicos do futebol.
Justamente nesse ponto que o autor se engana, pois mesmo dentro desse engenhoso e detalhista método, quando ele tenta justificar o aumento de força com os gestos naturais dos futebolistas ele ignora tudo que a ciência já comprovou por anos que existem ganhos e melhora do aporte de rendimento especifico do futebolista ou de qualquer desportista.
O treinamento de força é algo comum e recorrente em todas as principais modalidades do mundo. O ganho de força para a melhora dos gestos rápidos e potentes é comum no tênis, no basquete, no vôlei, no futebol americano, rugby, handebol,boxe, lutas, entre tantos.
O aumento da força como defendido dentro da Periodização Tática, através dos gestos naturais realizados no campo, não tem comprovação científica qualquer. Nenhum estudo consegue comprovar que apenas com os gestos específicos do jogo, se aumenta o nível de força (em suas diversas manifestações) ou da potência muscular.
As repetições dos gestos específicos do futebolista, dentro do modelo de jogo, não aumenta força por uma razão muito simples, essas ações exigem o componente neuro muscular do indivíduo, essas ações cobram a força do futebolista e não fornecem força como acreditam os defensores do método.
O que nos deparamos quando analisamos essa questão é uma crença sem aparato científico, ferindo com isso um dos princípios básicos do treinamento desportivo, o princípio da sobrecarga.
Se não fornecer sobrecarga, não ocorrerá aumento de força, e sem aumento de força, não existe aumento na potência muscular (Wilson, 2006) e cada vez mais lento e fadigado o futebolista estará ao longo do jogo e da temporada competitiva.
O aumento de força quando treinado de forma específica, fora dos aparelhos, com os exercícios priorizando a melhora do padrão de movimento em cadeia cinética fechada, através das diversas articulações acometidas no futebolista (tornozelo, joelho e quadril) contribuirá para a melhora dos gestos específicos facilitando as execuções corretas dos exercícios propostos dentro do modelo de jogo (Faude, 2005).
O princípio básico do treinamento de força esta voltado para a melhora no padrão de movimento, e não isolar os grupamentos musculares e suas articulações específicas (Boyle, 2010).
Outro detalhe essencial é o treinamento de força para a profilaxia de lesões.
A falta de equilíbrio muscular especialmente na cadeia posterior do futebolista é a principal causa de lesões dentre os atletas de futebol (Gatz, 2009).
A principal característica de lesões musculares em atletas de futebol acontece quando existe um desequilíbrio entre a ação muscular concêntrica (agonista) e a excêntrica (antagonista) (Fischer-Rasmussen e cols., 2001).
Esse consenso literário não pode ser ignorado e simplesmente acreditarmos que o treinamento específico da modalidade aumentará a força, pois além de não atingir esse objetivo, pode aumentar o desequilíbrio já existente, possibilitando ao atleta uma maior chance de lesões musculares.
O desequilíbrio da musculatura anterior com a musculatura posterior do futebolista é a principal causa de lesões musculares em atletas de futebol de campo (Twomey e cols., 2009).

Um programa de treinamento de força de forma equilibrada, pautada em diretrizes simples que visam o aumento de força, melhora na velocidade de execução do movimento e posteriormente na melhora da resistência dos movimentos potentes e específicos (Sargentim, 2010), podem sim contribuir de forma plena e pontual para as ações exigidas dentro do treinamento do "modelo de jogo".
A questão levantada nessa coluna é que o treinamento força bem pautado que gera uma melhora na potência e na resistência de potência pode sim melhorar o desempenho do futebolista nas ações específicas do futebol, gerando uma maior segurança para o atleta desempenhar suas ações dentro de campo.
Sob esse panorama, se a equipe técnica escolher aplicar a Periodização Tática como método de treino para a melhora da equipe, ela pode sim encontrar no treino de força como um grande aliado e não um inimigo como defende o mentor do método.
Tudo na vida é criado, aplicado, ajustado e adaptado. O método criado por Vítor Frade revolucionou a forma de se treinar futebol, deve ser cada dia mais analisado e estudado, mas na mesma proporção deve sofrer ajustes, caso contrário não conseguirá evoluir e tende em anos a entrar em desuso.
Se por um acaso os mentores do método não quiserem por arrogância ajustar a forma de se pensar e aplicar cabe aos seus "seguidores" absorver o conhecimento e com o tempo alinhar as ideias com as possibilidades específicas de cada equipe e de cada atleta, sempre favorecendo para o crescimento da nossa profissão.
Referências bibliograficas
Boyle, M. Advances in functional training: training techniques for coaches, personal traines and athletes.Ont Traget Publications, 2010, p.314.
Faude, O.; Junge, A.; Kindermann, W.; Dvorak, J. Injuries in female soccer players. American Journal of Sports Medicine, v.33, n.11, p.1694-1700, 2005
Fischer-Rasmussen, T.; Jensen, T. O.; Kjaer, M.; Krogsgaard, M.; Dyhre-Poulsen, P.; Magnusson, S. P. Is proprioception altered during loaded knee extension shortly after ACL rupture? Int. Journal Sports Medicine, v.22, p. 385-391, 2001.
Gatz, G. Complete conditioning for soccer. Human Kinetics, 2009, p.197.

Sargentim, S.: Treinamento de força no futebol. São Paulo:Phorte. 2010. p.120.
Twomey, D; Finch, C; Roediger, E; Lloyd, DG. Preventing lower limb injuries: is the latest evidence being translated into the football field?. Journal of Science & Medicine in Sport. 12(4):452-6, 2009.
Wilson, W. Rugby Fitness Training: A Twelve-Month Conditioning Programme. Crowood Press; illustrated edition. 2006, p-189.