quarta-feira, 18 de junho de 2014

REGENERATIVO, DEFINITIVAMENTE NÃO !


Por Dr. Arthur Guzzo Fraccanabbia

(Imagem Web)
Quem já não escutou dentro do futebol a famosa frase : os atletas realizaram um treino regenerativo !
Pois é, vamos tentar entender um pouco sobre isso de modo simples e rápido. No dia seguinte a um jogo, preparadores físicos costumam fazer um "regenerativo" com seus atletas. Primeira pergunta : Regenerar o que ? 
Vamos a alguns conceitos...
Regeneração é a capacidade dos tecidos, órgãos ou mesmo organismos se renovarem ou ainda de se recomporem após danos físicos consideráveis. Deve-se à capacidade das células não afetadas de se multiplicarem e, em acordo com a necessidade, de se diferenciarem, a fim de recompor a parte lesionada. Segundo o que mostra as palavras em vermelho, as células que devem sofrer este processo não podem ter sido afetadas, ou melhor dizendo estarem vivas, pois para recuperar uma célula em primeiro lugar a mesma deve estar viva, acredito ser algo óbvio esta informação.
A capacidade de regeneração tecidual depende do tipo de célula, tecido ou órgão afetados pela injúria. Eis que então surge o problema, que parece ser pouco conhecido : O tecido muscular é permanente e estável, NÃO tendo capacidade de regeneração ! 
(Imagem Web)

E agora ? O que dizer disso ?

Acredito que falta atualização dos profissionais que usam esta terminação ou então uma boa leitura em um livro de histologia humana.
Há ainda aqueles que digam, que o " regenerativo"  um dia após atua como :
a ) Aumenta o fluxo de sangue nos músculos para limpar impurezas.
 Quer dizer que só existe fluxo sanguíneo adequado quando corremos ou realizamos atividade física ? Limpar impurezas ? Será que alguém tem o conhecimento sobre este tema, e saberia descrever de qual substrato é originado um dos principais responsáveis pela "limpeza" ? Se for ler e procurar, verá que este, atua em qualquer condição, e não apenas com um trote ou caminhada.

 b ) Remove lactato.
      Sobre esta alegação, não irei perder meu tempo escrevendo sobre tal absurdo, e resumo tudo com uma única palavra: IGNORÂNCIA !


Ainda se fosse usado o termo recuperativo, quem sabe não seria tão fora de contexto, mas regenerativo definitivamente não! Alguém já viu um paciente de algum hospital sair para dar uma caminhada ou um trote para se recuperar ou se "regenerar" ?  Será que a medicina ainda não sabe desta técnica revolucionária adotada pelos educadores físicos? Acredito não ser o caso, não é !
A regra básica para uma melhor recuperação de um atleta é : repouso - hidratação - alimentação !


Outro ponto que chama muito a atenção é o fato nutricional, visto pela bioquimica como um verdadeiro desastre com o que fazem com os atletas. E ainda por cima querem que o sangue leve até a musculatura nutrientes, mas mal sabem eles que primeiro temos que ter os nutrientes para depois levar. Isso sem contar em todo o complexo envolvido nisso como enzimas, co-enzimas, fatores, co-fatores e etc... Este ponto não vem ao caso, pois será tema e um novo texto.
(Imagem Web)
Se usarmos um exemplo bem idiota para seguir a linha lógica : " Um ajudante de pedreiro, descarrega sozinho 5 caminhões de tijolo em um dia, e no outro dia, seu patrão lhe diz, - hoje para descansar e "regenerar" você em vez de folga terá que descarregar apenas 2 caminhões de tijolo "Vale lembrar que toda a carga é carga por menor que a mesma seja, e em vez de ajudar, atrapalha e soma ao dano já sofrido. Frases como - hoje é bem fraco ! Mas fraco pra quem ? Naquele momento este fraco se torna forte pela debilidade que ainda o tecido muscular passa.
Troque seu vocabulário, esqueça o termo regenerativo e reavalie suas atitudes com seus atletas, a não ser que seus atletas sejam lagartixas, pois aí sim, cortando o rabo, este se regenera !


(Imagem Web)


Abraço a todos...

Postagem Especial por
Dr. Arthur Guzzo Fraccanabbia


Fisiologista e bioquímico esportivo

- Membro da Sociedade Brasileira de Nutrição Esportiva

- Membro da Sociedade Argentina de Fisiologia do Exercício

- Membro do American Colegge of Sport and Medicine
 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Intervalo entre as séries de musculação



No treinamento de força, diversos fatores são influenciados pela duração do intervalo de descanso entre as séries, como: recuperação das fontes de energia, concentrações sangüíneas de lactato, quantidade de trabalho realizado (carga x repetições) e capacidade neural.

Séries com números elevados de repetições e curtos intervalos de descanso apresentam maior acúmulo de lactato. Com relação ao número de repetições, Abernethy & Wehr (1997) demonstraram que protocolos que utilizaram 15RM apresentam maiores concentrações de lactato no sangue quando comparado com 5RM. Resultados similares foram encontrados por Kraemer et al. (1990) ao comparar treinos de 10 e 5RM.
Ao analisar os efeitos de diferentes intervalos entre as séries, Kraemer et al. (1990) verificaram que a realização de séries de 10RM com um minuto de intervalo promove um maior acúmulo de lactato em comparação a séries com três minuto. Deste modo, é possível inferir que a utilização de intervalos curtos (1 minuto) favoreça um maior acúmulo de metabólitos, o que pode ser benéfico para se promover ganhos de força e hipertrofia. Desta forma, pode-se sugerir intervalos curtos entre as séries com estímulos metabólicos, pode ser uma estratégia eficiente mesmo que sejam utilizadas cargas relativamente baixas (Takarada & Ishii, 2002).

Por outro lado, ao considerarmos os fatores neurais, recomenda-se um maior intervalo de descanso entre as séries para haja uma melhor recuperação do sistema nervoso e energético, o que possibilitará ativar uma quantidade suficiente de unidades motoras capazes de suportar a mesma carga e realizar o mesmo trabalho na próxima série (Kraemer e Hakkinen, 2004). Neste caso, para minimizar a fadiga e aumentar a capacidade de desenvolver força, alguns autores sugerem intervalos de dois a quatro minutos (Woods et al., 2004), no entanto esta recomendação pode chegar a oito minutos em treinos específicos de atletas de força e potência muscular (Verkhoshansky, 1998).

De fato é verificado que intervalos curtos de descanso dificultam, ou até mesmo impossibilitam que se realize o mesmo trabalho nas séries subseqüentes. Richmond & Godard (2004), verificaram que intervalos mais longos possibilitam que as séries seguintes sejam realizadas com maior número de repetições, contribuindo para um maior volume de trabalho. Kraemer (1997) verificou que três minutos de descanso entre as séries foi suficiente para que atletas de futebol americano completassem 10RM no Leg Press e no Supino com a mesma carga da série anterior, no entanto o mesmo não ocorreu com um minuto de intervalo. Por outro lado, ao avaliar homens moderadamente treinados Willardson & Burket (2005), concluíram que mesmo com cinco minutos de intervalo não foi possível realizar o mesmo trabalho em quatro séries de supino ou agachamento com carga de 8RM.
Resumindo, treinos com características metabólicas são mais eficientes com intervalos curtos de descanso entre as séries, pois o objetivo é aumentar as concentrações de metabólitos. Já treinos com características tensionais o intervalo deve ser longo para se obter uma recuperação neural adequada (Gentil, 2005). Entretanto, é essencial que haja uma manipulação cuidadosa do intervalo de descanso para evitar um estresse inadequado e desnecessário.

Referências Bibliográficas

Abernethy PJ, Wehr M. Ammonia and lactate response to leg press work at 5 and 15 RM. J. Strength Cond. Res. 11(1):40-44, 1997.
Gentil P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. Rio de Janeiro. Sprint. 2005.
Kraemer WJ & Hakkinen K. Treinamento de força para o esporte. Porto Alegre. Artmed. 2004.
Kraemer WJ, Marchitelli LJ, McCurry YD, Mello R., Dziados JE, Harman EA, Frykman PN, Gordon SE. Fleck S. Hormonal a growth factor responses to heavy resistance exercise. J Appl. Physiol. 69:1442-1450, 1990.
Richmond SR, Godard MP. The effects of varied rest periods between sets to failure using the bench press in recreationally trained men. J. Strength Cond. Res. 18 (4):846-849, 2004.
Takarada I & Ishii N. Effects of Low-Intensity Resistance Exercise With Short Interset Rest Period on Muscular Function in Middle-Aged Women. J Strength Cond. Res. Vol.16 n°1 pp:123-128, 2002.
Verkhoshanski YV. Força: Treinamento de potencia muscular - Método de choque. Londrina, CID, 1998.
Willardson, J.M., and L.N. Burkett. A comparison of 3 different rest intervals on the exercise volume completed during a workout. J. Strength Cond. Res. 19(1):23-26. 2005.
Woods S, Bridge T, Nelson D, Risse K, Pinciveiro DM. The effects of rest interval length on ratings of perceived exertion during dynamic knee extension exercise. J. Strength Cond. Res. 2004, 18(3), 540-545. 2004.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Déficit de sono tem efeito 'dramático' sobre o corpo humano, diz estudo



Experimento revela que dormir pouco altera a atividade de centenas de genes, transformando a configuração química do organismo.

BBC
Doenças cardíacas, diabetes, obesidade e mau funcionamento do cérebro foram vinculados ao pouco dormir (Foto: BBC/Reprodução)Doenças cardíacas, diabetes, obesidade e mau funcionamento do cérebro foram vinculados ao pouco dormir (Foto: BBC/Reprodução)
Quantidades insuficientes de sono durante um período prolongado pode ter efeito profundo sobre o funcionamento do corpo humano, segundo pesquisadores britânicos.
Um experimento concluiu que a atividade de centenas de genes no organismo de voluntários foi alterada quando eles dormiram menos de seis horas por noite durante uma semana.
Em artigo na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os pesquisadores disseram que os resultados do estudo ajudam a explicar como o sono insuficiente prejudica a saúde.
Doenças cardíacas, diabetes, obesidade e mau funcionamento do cérebro foram vinculados ao pouco dormir.
O processo pelo qual o déficit de sono altera a saúde, no entanto, ainda não é conhecido.
A equipe da Universidade de Surrey, na Inglaterra, coletou amostras de sangue de 26 pessoas após elas terem dormido bastante - até dez horas por noite - durante uma semana.
Na segunda fase do experimento, o mesmo grupo foi submetido a uma semana de sono insuficiente - menos de seis horas por noite. Amostras de sangue foram colhidas novamente.
Ao comparar as amostras, os cientistas observaram que a atividade de mais de 700 genes no organismo dos participantes foi alterada após a mudança no padrão do seu sono.
Configuração química
Cada gene contém instruções para a fabricação de uma proteína. Portanto, os que ficaram mais ativos produziram mais proteínas. Isso alterou completamente a configuração química no corpo dos voluntários.

O relógio natural dos seus organismos também foi perturbado pela falta de sono. A atividade de alguns genes aumenta e diminui no decorrer do dia, mas esse efeito foi enfraquecido pelo déficit de sono.
Falando à BBC, Colin Smith, da Universidade de Surrey, disse que 'houve uma mudança dramática na atividade de muitos tipos diferentes de genes'.
"Áreas como o sistema imunológico e a forma como o organismo reage a danos e estresse foram afetadas", agregou. "Claramente, dormir é essencial para a reconstrução do corpo e a manutenção de um estado funcional. (Caso contrário) vários tipos de danos parecem acontecer, o que pode resultar em doenças. Se não podemos reabastecer ou substituir células, isso leva à (formação de) doenças degenerativas."
O especialista disse que muitas pessoas podem estar vivendo com déficits de sono ainda maiores do que os estudados. Isso significa que essas mudanças nos genes podem ser comuns.
Comentando os resultados do experimento, o pesquisador Akhilesh Reddy, que estuda o relógio biológico humano na Universidade de Cambridge, Inglaterra, disse que o estudo é "interessante".
Para ele, as revelações mais importantes são os efeitos do sono insuficiente sobre inflamações e o sistema imunológico. Ele explicou que é possível estabelecer-se um vínculo entre esses efeitos e problemas de saúde como a diabetes.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

REFRIGERANTE DIET AUMENTA OS RISCOS DE ATAQUE CARDÍACO

Refrigerantes diet são opções menos calóricas quando comparados às versões ricas em açúcar, mas estudos recentes apontam que eles também não são mesmo uma opção saudável.
Pesquisadores da Escola de Medicina de Miller, na Universidade de Miami, e da Universidade de Columbia, ambas nos Estados Unidos, identificaram que o consumo de uma lata de refrigerante diet por dia pode elevar em 43% o risco de um ataque cardíaco ou derrame.
Ao longo de 10 anos, estudo analisou mais de 2500 pessoas
Para chegar a estes resultados, os cientistas analisaram, por um período de 10 anos, o consumo de refrigerantes em mais de 2.500 pessoas. Quando comparados àqueles que não bebem nenhum tipo de refrigerante, os voluntários que consumiam uma lata da bebida diet ao dia apresentaram risco 40% mais elevado de desenvolver doenças cardiovasculares, como derrames e ataques cardíacos. Os pesquisados não eram portadores de doenças preexistentes, como diabetes ou hipertensão.
Os cientistas explicam que são necessários novos estudos para explicar os mecanismos que relacionam a ingestão frequente de refrigerante diet e a maior propensão a doenças cardiovasculares.
Até o momento, não há estudos que comprovem a relação entre adoçantes e câncer
Em estudo anterior, os pesquisadores da Universidade de Columbia relacionaram o excesso de sódio nos refrigerantes diets com alto risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Os adoçantes, presentes nas fórmulas, também estão na mira das agências mundiais de saúde, mas, até o momento, não existem evidências clínicas suficientes para afirmar que sua ingestão esteja associada ao desenvolvimento de doenças, como o câncer.

Liberacao Miofascial - Treinamento Funcional

Conheça a Liberação Miofascial, assunto do treinamento funcional



Todo músculo e cada fibra muscular são envolvidos por um tipo de tecido conjuntivo chamada fáscia, Todo músculo e cada fibra muscular são envolvidos por um tipo de tecido conjuntivo chamada fáscia, que forma os tendões e ligamentos nas extremidades dos músculos, assumindo a função de conectar músculo a osso e músculo a outro músculo. É a fáscia, portanto, que suporta os músculos e mantém a relação desses com os ossos, determinando, basicamente, a forma do corpo.
Ida Rolf , Ph.D. em Bioquímica pela Universidade de Columbia, ao longo das suas pesquisas científicas, fez uma descoberta muito importante sobre a constituição do corpo humano: a rede de tecido conjuntivo, que envolve e conecta o tecido muscular, tem propriedades plásticas e elásticas que fazem com que seja possível alterar a forma e a relação desse sistema (músculo/tecido conjuntivo) nos diversos segmentos corporais, em qualquer época da vida.
A descoberta da Dra. Rolf sobre a importância da fáscia revolucionou o pensamento sobre o corpo. Sabe-se, atualmente, que o tecido fascial pode ser alterado, respondendo à aplicação de energia nas formas de pressão e calor. Mediante a aplicação de uma dessas formas de energia (no caso do Rolfing® a pressão), a fáscia torna-se mais solúvel e pode permitir que as estruturas contidas no seu tecido alterem seu arranjo e se adaptem numa relação mais harmoniosa com as partes adjacentes do corpo.
Sabe-se também que quando o músculo é sobrecarregado por alguma razão, a fáscia absorve parte dessa carga, pois é submetida a um esforço contínuo e excessivo, tornando-se mais densa, mais curta e perdendo elasticidade e plasticidade. Assim, o corpo muda, gradativamente, sua estrutura. E desenvolve doenças como LER & DORT, mudanças posturais graves, dores por contraturas ou até emocionais por dor crônica.
A liberação miofascial
As técnicas de liberação miofascial estimulam as áreas que possam apresentar tecidos condensados limitando o de movimento.
Utilizando pressão, alongamentos especiais e envolvimento consciente do paciente, é possível modificar a organização molecular dos componentes líquidos dos tecidos, gerando uma nova organização. A rigidez dos tecidos e restrições desaparecem rapidamente, permitindo a modulação de tônus necessária na aceleração dos processos de reabilitação, facilitando a reeducação dos movimentos.
Uma pessoa com tecidos organizados para conviver em harmonia com a gravidade, terá a oportunidade de experenciar um corpo leve, livre de tensões e com uma conciência de si mesmo e de sua imagem corporal.
por Fernanda Marques